Depois de um recuo de 2,2 milhões de clientes em 2016, o número de contas com aplicações financeiras no varejo tradicional e de alta renda aumentou 5,9% no ano passado, avançando de 69,5 milhões para 73,6 milhões no período.

O volume de recursos das 67,5 milhões de contas do varejo tradicional expandiu 7,4% para R$ 916 bilhões em 2017. Enquanto o patrimônio das 6,05 milhões de contas do varejo alta renda mostrou evolução de 12,1% para o montante de R$ 778 bilhões, no mesmo exercício anual.

Na prática, houve aumento de 1,9 milhão de novas contas em relação ao recorde anterior de 71,7 milhões do ano de 2015. Os dados foram divulgados ontem pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

“É um número recorde de contas. Isso se deve a retomada da economia, ao aumento da bancarização, e ao interesse do público mais jovem que está aproveitando as plataformas digitais [de bancos, gestoras ou corretoras] para começar a investir”, respondeu ao DCI, o presidente do Comitê de Varejo da Anbima, José Rocha.

No varejo tradicional, o executivo aponta para 2018 uma recuperação mais consistente das aplicações em caderneta de poupança, mesmo com o rendimento atrelado a 70% da taxa básica de juros (Selic). Em 2017, o patrimônio depositado em poupança evoluiu 9% para R$ 665,7 bilhões, ante R$ 612 bilhões registrados em 2016.

“A poupança sempre vai ter apelo para o cliente tradicional. A inflação menor gerou juros reais mais atrativos para os investidores de varejo. A poupança terá benefícios para a baixa renda”, argumenta.

Atualmente, a taxa Selic está no patamar mais baixo da série histórica do Banco Central (BC), em 6,75% ao ano, ao passo que os novos depósitos em poupança rendem 4,72% ao ano, ou 0,3855% ao mês.

Para o segmento de varejo alta renda, José Rocha destaca a perspectiva positiva para aplicações em fundos de gestão ativa como multimercados e carteiras de ações em 2018. “A tendência é a busca por maior nível de risco”, afirma.

No ano passado, o volume do varejo (tradicional e da alta renda) em fundos de investimentos atingiu R$ 538 bilhões, 32,8% acima dos R$ 405 bilhões registrados em 2016.

Esse avanço dos fundos compensou a queda de 7,4% do volume em títulos e valores mobiliários, cujo patrimônio retrocedeu para R$ 492 bilhões em 2017, ante o montante de R$ 531,4 bilhões de 2016.

Rocha explicou que esse recuou nos títulos foi resultado do menor lastro em letras de crédito imobiliário (LCIs) e do agronegócio (LCAs) e da mudança de legislação ocorrida no final de 2016 nas operações compromissadas lastreadas em papéis privados.

Segundo os dados do segmento varejo (tradicional e alta renda), o volume em LCIs encolheu R$ 14,7 bilhões para o total de R$ 131 bilhões; queda de R$ 32,1 bilhões em LCA para R$ 48,6 bilhões no total; e recuo de R$ 27,7 bilhões em compromissadas para R$ 35,5 bilhões no total dos ativos. “O varejo alta renda tem sido bem atendido com outros papéis isentos”, comentou Rocha.

Em outras palavras, o presidente do Comitê de Varejo da Anbima indica que a emissão de certificados de recebíveis imobiliários (CRI), do agronegócio (CRA) e as debêntures incentivadas vão atender a demanda dos investidores da alta renda por títulos isentos do imposto de renda (IR).

Multimilionários O segmento de private banking teve um acréscimo de 4,8 mil clientes no ano passado. Ao todo, as 117.421 contas desse público de altíssima renda acumularam um patrimônio financeiro de R$ 868 bilhões, média de R$ 7,4 milhões por conta, ou de R$ 17 milhões por grupo econômico (família).

“A previdência continua em expansão, alta de 27,6% no período, reflexo do benefício tributário para o investimento de longo prazo e de novos produtos”, destacou o presidente do Comitê de Private Banking da Anbima, João Albino.

Quanto às expectativas de crescimento do segmento para 2018, João Albino acredita que o crescimento da economia, a ocorrência de IPOs (ofertas públicas de ações) e de operações de fusões e aquisições devem aumentar ainda mais a base de clientes de private e os investimentos. “Vejo espaço para private equity, FIPs [participações societárias] e fundos imobiliários”, aponta Albino.

Ele contou que a carteira de crédito para esse público cresceu 11,8% em 2017, para um volume de cerca de R$ 30 bilhões. O financiamento para o agronegócio responde por 51,5% dessa carteira, seguido por fiança com 16,2%. “Muitas vezes, se toma um crédito com um juro bem menor que o ganho recebido nas aplicações”, disse Albino. Como exemplo, citou o crédito para aeronaves.