Índice de Confiança do Consumidor recua 8,4% e registra a maior queda na comparação mensal desde maio de 2015

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Segundo a FecomercioSP, indicador passou de 113,5 pontos em maio para 104 pontos em junho e atingiu o menor patamar desde novembro de 2017

A paralisação dos caminhoneiros e a consequente crise de abastecimento que se espalhou pelo Brasil gerou efeitos negativos sobre o humor dos consumidores paulistanos. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 8,4%, ao passar de 113,5 pontos em maio para 104 pontos em junho. Foi a maior queda na comparação mensal desde maio de 2015 e, com isso, o ICC atingiu o menor patamar desde novembro do ano passado. Em relação a junho de 2017, o indicador registrou alta de 3,9%.

O ICC é elaborado mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e a escala de pontuação varia de zero (pessimismo total) a 200 pontos (otimismo total).

Os dois quesitos que compõem o indicador recuaram na passagem de maio para junho. O Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) registrou queda de 7%, ao passar de 83,8 pontos em maio para 77,9 pontos em junho. Em relação a junho do ano passado, houve elevação de 10,1%. O Índice das Expectativas do Consumidor (IEC) caiu 9%, ao passar de 133,3 pontos em maio para 121,4 pontos em junho. No comparativo anual, o índice ainda registrou alta de 1,5%.

Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, os resultados mostram que o receio dos efeitos da crise do abastecimento se abateu, de forma imediata, sobre os consumidores e alterou a visão de curto prazo. O cenário futuro também foi avaliado de maneira negativa, já que havia uma evidente desconfiança na capacidade do governo de solucionar a crise e dúvidas sobre como serão os próximos meses até o fim do mandato.

Gênero e renda
No resultado apurado pelo ICEA, destacou-se o recuo de 9,8% entre os consumidores com renda familiar acima de dez salários mínimos, ao passar de 96,8 pontos em maio para 87,3 pontos em junho. Entre aqueles com idade inferior a 35 anos, houve queda de 9,2% na mesma base de comparação, atingindo 82,6 pontos.

Em relação ao IEC, todas as segmentações também registraram variação negativa de maio para junho, e, novamente, os consumidores de maior renda e abaixo de 35 anos se destacaram, com variações negativas de 11,2% e 12,4%, respectivamente.

De acordo com a FecomercioSP, desde o início do ano, o ICC vinha alternando momentos de alta e baixa sem estabelecer uma trajetória definida, mas se mantendo acima dos 100 pontos, ou seja, indicando um sentimento de otimismo dos consumidores paulistanos. Entretanto, de maio para junho, motivado pela paralisação dos caminhoneiros, o indicador exibiu a maior queda mensal em três anos, atingindo o menor patamar desde novembro de 2017. Considerando que esses movimentos mais exagerados são naturais no curto prazo, a Entidade avalia que, com a normalização do abastecimento, as perspectivas presentes melhorem um pouco.

Metodologia
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde 1994. Os dados são coletados de aproximadamente 2,1 mil consumidores no município de São Paulo. O objetivo é identificar o sentimento dos consumidores levando em conta suas condições econômicas atuais e suas expectativas quanto à situação econômica futura.

Os dados são segmentados por nível de renda, sexo e idade. O ICC varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral, apresenta-se em: Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). Os dados da pesquisa servem como um balizador para decisões de investimento e para formação de estoques por parte dos varejistas, bem como para outros tipos de investimento das empresas.

A metodologia do ICC foi desenvolvida com base no Consumer Confidence Index, índice norte-americano que surgiu em 1950 na Universidade de Michigan. No início da década de 1990, a equipe econômica da FecomercioSP adaptou a metodologia da pesquisa norte-americana à realidade brasileira. Atualmente, o índice da Federação é usado como referência nas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), responsável pela definição da taxa de juros no País, a exemplo do que ocorre com o aproveitamento do CCI pelo Banco Central.

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