Juro em queda pede investimento de risco para manter ganho

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  Marcos Santos/USP Imagens  
Juros ao consumidor caem com redução da Selic a 8,25% ao ano, segundo Anefac
Especialistas recomendam transição com aplicações que mesclem renda fixa e variável, como fundos imobiliários

DANIELLE BRANT
DE SÃO PAULO

 

O cenário de juros em queda na economia brasileira vai forçar investidores que quiserem aumentar sua rentabilidade a se exporem a aplicações mais arriscadas, mas quem não quiser entrar direto na Bolsa pode fazer essa transição de maneira suave, com produtos que mesclam rendas fixa e variável.

Tomar a decisão de incluir uma pitada de risco nos investimentos é crucial para quem estava acostumado a uma rentabilidade mensal de 1% em aplicações conservadoras, como quando a taxa básica de juros estava em dois dígitos – até julho deste ano, por exemplo.

Há duas semanas, o Banco Central reduziu a Selic em 1 ponto percentual, para 8,25% ao ano.

Com a expectativa de que a Selic termine o ano em até 7%, conforme agentes de mercado consultados pelo Banco Central, ganhos como o indicado acima vão ficar cada vez mais distantes, afirma Walter Franco, professor de economia do Ibmec SP.

“Tem que tirar o pé do freio, tomar coragem e fugir do feijão com arroz”, diz.

Uma das alternativas para quem quer dar esse passo são os fundos multimercados, que costumam ter parte do patrimônio em renda fixa, mas que podem investir em outros mercados, como câmbio e ações no exterior.

Essa flexibilidade possibilita que eles registrem um ganho superior ao de produtos que investem puramente em renda fixa -mas pode haver perdas, se o gestor fizer uma aposta errada.

E as atuais condições do país dão margem para que isso aconteça, diz o consultor de investimentos Marcelo D’Agosto.

“Há um ambiente incerto na economia. O presidente [Michel Temer] pode sair ou não, as reformas podem ou não ser aprovadas. Mas há fundos que conseguem surfar nessas incertezas”, diz.

Quem quiser aplicar nesses fundos tem que procurar corretoras ou bancosque ofereçam o produto, verificar se o escolhido ainda está recebendo aplicações -muitos são fechados- e estudar o histórico de rentabilidade pelo menos dos últimos três anos, afirmam analistas.

RISCO MAIOR

A expectativa de recuperação da economia pode revitalizar o mercado imobiliário e dar mais fôlego a fundos que têm imóveis em sua carteira.

Esses produtos têm cotas negociadas em Bolsa e alguns pagam ao investidor um rendimento mensal, isento de Imposto de Renda para pessoas físicas.

No ano passado, o índice da Bolsa que reúne os fundos imobiliários mais negociados subiu 32,33%. Neste ano, o avanço é de 16,3%.

“Tem espaço para andar. Muitos fundos ainda estão com preço de mercado abaixo do valor patrimonial e o índice de vacância está alto. Quando a vacância diminuir, eles tendem a se valorizar”, avalia Virginia Prestes, professora de finanças da FAAP.

Mas, ainda assim, é preciso ir com calma, avalia D’Agosto. “Quanto menor a taxa de juros, melhor o cenário para o fundo imobiliário. O juro está caindo, mas a recuperação da economia é uma incógnita”, afirma.

A recomendação para quem quer aplicar nesses fundos é diversificar, escolhendo produtos que tenham imóveis de setores e regiões diferentes.

Já o investidor que se sentir confortável para engatinhar no mercado acionário pode começar com um fundo de ações, em que um gestor monta uma carteira baseado no cenário que desenha para a Bolsa e a economia.

“O gestor dilui o risco. Dificilmente vai ter uma queda generalizada de todos os setores, a não ser que haja uma crise, mas aí afeta outros mercados também” diz Miguel Ribeiro, da Anefac (associação de executivos em finanças).

Ele recomenda que esse primeiro fundo seja mais “conservador”, referenciado ao principal índice da Bolsa.

Mas, depois que o investidor ganhar confiança, é possível optar por outros em que tenha mais liberdade para escolher ações -até mesmo fora do Ibovespa, índice que reúne as principais ações.

RENDA FIXA

Mas nem todo mundo tem sangue frio para suportar oscilações da renda variável, avalia Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor da Anefac.

“A não ser que o investidor aceite correr riscos, o melhor é ficar na renda fixa. A Selic ainda está elevada, a inflação baixa, tem um ganho real de quase 5%”, diz.

Alguma opções na renda fixa, como títulos emitidos por bancos menores, que precisam captar recursos no mercado, ainda são vantajosas (veja simulação no quadro).

Eles têm garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeir

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