Vendas do comércio de Ribeirão Preto fecham 2018 com queda

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O balanço anual do comércio de Ribeirão Preto ficou negativo em 2018, apresentando uma redução média nas vendas de 1,74% quando comparado a 2017 (1,13%). É o que mostra a pesquisa Movimento do Comércio, realizada pelo Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto e Região (SINCOVARP).

“Esse resultado aponta no sentido de um aprofundamento da crise econômica para o segmento, que vem sofrendo quedas sucessivas desde 2014”, explica Marcelo Bosi Rodrigues, economista responsável pelo estudo.

Setorial – Entre os nove setores pesquisados, todos apresentaram queda. O pior resultado foi Livraria/Papelaria (2,91%), seguido por Cine/Foto (2,60%), Tecidos/Enxoval (2,41%), Ótica (2,40%), Presentes (1,71%), Eletrodomésticos (1,61%), Vestuário (1,16%), Calçados (0,67%) e Móveis (0,23%).

Segundo Rodrigues, para o início de 2018 a expectativa era de uma lenta recuperação das vendas. “Por conta das turbulências envolvendo o curto e polêmico governo Temer, o ano acabou mostrando sucessivos resultados negativos, principalmente na época da greve dos caminhoneiros ocorrida em maio, como no gráfico 1”, observa.

Somente em janeiro e agosto os resultados foram positivos, nos demais meses as quedas estiveram presentes, com destaque para maio, outubro e novembro, com resultados negativos superando os 3%.

Empregos – No que se refere ao emprego, o resultado foi de uma leve queda de 0,17% nos postos de trabalho em 2018. “Levando-se em consideração as quedas sucessivas das vendas nos últimos sete anos, o número relativo ao emprego não reflete o momento negativo enfrentado pelo varejo, demonstrando que o comerciante tem optado por manter os postos de trabalho, uma vez que as lojas já estão com seus quadros funcionais bastante reduzidos”, analisa Rodrigues.

Entre os setores, embora as movimentações oscilem entre positivas e negativas, a maioria se mantém perto da estabilidade, com variações menores que um ponto percentual para cima ou para baixo. Apenas Cine/Foto teve redução dos quadros funcionais durante o ano de 1,04%.

Para Rodrigues, ao analisar as variações médias mensais do varejo durante o ano, é possível observar que a tendência sazonal se mantém com movimentos de demissões no início do ano e contratações no final do ano (gráfico 2). “A grande diferença está na intensidade dos movimentos, em geral as contratações de final de ano superam as demissões do início do ano, ambas são mais intensas”, diz.

Modalidade de pagamento – No que diz respeito a modalidade de pagamento utilizada no comércio não houve surpresa. A tendência de utilização do cartão de crédito vem se confirmando a cada ano, em média, representa 54,15%. Pagamentos à vista somam 35,00% e os a prazo, com cheques pré-datados ou carnês, 10,85%.

Entre os segmentos, o que teve mais pagamentos com cartão de crédito em 2018 foi Cine/Foto (61,31%). A modalidade à vista foi liderada por Livraria/Papelaria (55,21%). Já as vendas a prazo, com cheques pré-datados ou carnês, foram as mais realizadas no setor de Eletrodomésticos (16,59%).

No gráfico 3 é possível acompanhar a evolução das modalidades de pagamento durante o ano a cada trimestre. “O que chama a atenção é o fato de que em dezembro o percentual de vendas por meio do cartão de crédito sofreu uma leve redução, ficando abaixo da média anual, com incremento das vendas à vista, que ficaram acima da média anual. Esse movimento aponta para um comportamento do consumidor no sentido de antecipar pagamentos evitando a contratação de dívidas”, avalia Rodrigues.

Análise – Dois mil e dezoito começou com a promessa de deixar no passado as dificuldades econômicas enfrentadas a partir do final de 2013 e início de 2014. “A expectativa era de uma recuperação lenta e gradativa, no entanto isso não aconteceu. O governo interino de Michel Temer não conseguiu se livrar das turbulências políticas e denúncias de corrupção, muito menos aprovar as reformas necessárias para destravar a economia do país e, além disso, a greve dos caminhoneiros, em maio, aprofundou a crise econômica. Para o comércio, esse foi um complicador a mais, pois maio é conhecido como “mês das mães” e costuma ser uma das melhores datas de vendas para o varejo, mas acabou sendo o grande fiasco em 2018”, explica Rodrigues.

Segundo o economista, o ano terminou com um novo presidente e grande parte do congresso, Senado e governos estaduais renovados. “Os eleitos prometem uma gestão mais austera no que se refere ao combate à corrupção. Com essa mudança no cenário político, as expectativas dos agentes econômicos se tornaram muito mais positivas, porém essa mudança não foi suficiente para trazer números positivos ao varejo de Ribeirão Preto no final de 2018, então, que venha 2019”, finaliza.

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